Morte de menina de 13 anos será apurada por inquérito
Lucas Belussi

A delegada da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), Maria Salete Cavestré Tondatto, instaurou um inquérito policial para apurar a morte da menina Alicielen Rodrigues de Oliveira, 13 anos, ocorrida no último dia 6 de julho.
A investigação será realizada para apurar se houve negligência médica no atendimento da vítima e tentar descobrir a causa da morte. O inquérito foi iniciado depois que a família procurou a polícia e um Boletim de Ocorrência foi lavrado. “Vamos solicitar o prontuário da paciente nos próximos dias porque queremos apurar se houve negligência na condução do caso e tentar descobrir qual foi a causa da morte”, revela a delegada.
Segundo ela, a base da investigação será homicídio culposo (sem intensão de matar), porém o BO foi registrado como morte suspeita. "Ouvimos os familiares e muitas acusações sérias foram feitas, por isso vamos investigar para ver se ocorreu algum erro que pode ter provocado a morte".
Os pais da adolescente procuraram, ontem, o Jornal INTERIOR para demonstrarem a insatisfação com o atendimento recebido pela filha. Segundo eles, caso a vítima tivesse sido transferida para um centro com mais recursos, ela estaria viva. “Nenhum médico quis assinar a transferência da minha filha mesmo quando conseguimos vaga no Hospital de Base de São José do Rio Preto e um helicóptero para ela ser transferida”, comenta o pai Gersi Martins de Oliveira, de 46 anos.
Ainda segundo ele, Alicielen foi feita de “cobaia” na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Santa Casa de Misericórdia de Penápolis, onde permaneceu internada por 30 dias. “Eles não sabiam a causa do problema e mesmo assim aplicaram dezenas de medicamentos, mesmo sem saber o que estava ocorrendo”.
A mãe da adolescente, Vilma Maria Rodrigues, de 46 anos, comenta que deseja saber qual foi a causa da morte da filha. No Atestado de Óbito consta apenas “síndrome disfunção múltiplos órgãos- sepse-pneumonia”. “O hospital suspeitou de inúmeras doenças e até agora não sabemos exatamente o que aconteceu. Estou arrependida de não ter forçado a transferência dela para outra cidade”, lamenta a genitora.
HISTÓRIA
Alicielen Rodrigues de Oliveira começou a sentir os primeiros sintomas no mês de março quando apresentou inchaço nos pés, mãos e rosto. Alguns dias depois, ela se queixou de dores no estômago, sendo atendida na UBS (Unidade Básica de Saúde) do bairro Silvia Covas.
Ela foi encaminhada para o AME (Ambulatório Médico de Especialidades) de Araçatuba para a realização de exames. “Foram feitos inúmeros exames, inclusive do coração, porém nenhum problema foi descoberto pelos médicos”, revela a mãe.
O quadro da adolescente foi se agravando e ela apresentou queda no cabelo. No último dia 7 à noite, ela foi levada ao Pronto Socorro Municipal reclamando das dores, onde ficou até o dia seguinte. “Minha filha estava falando, andando e estava lúcida. Ela disse que me amava muito e perguntou se agora as dores iriam parar”, disse a mãe emocionada.
No final da tarde do dia 8, ela foi transferida para a UTI depois de uma intervenção política, já que a unidade não está apta a atender crianças. “Ela iria morrer sentada esperando a internação, por isso liguei para o vereador Caíque Rossi que nos ajudou e os médicos abriram uma exceção, já que o caso era grave”.
No dia seguinte, a paciente foi entubada devido a sérios problemas respiratórios e levada ao isolamento depois que teve uma parada cardíaca, por isso ficou sedada durante 10 dias.
Ela acordou no dia 18, porém três dias depois, o quadro regrediu e ela foi novamente posta em coma induzido. “Pedimos a transferência dela três vezes, porém nenhum médico queria se responsabilizar porque falaram que ela não tinha condições e que morreria no caminho”.
No último dia 25, o prefeito João Luís dos Santos (PT), autorizou o pagamento de um hospital para a paciente, porém não encontraram vaga no Hospital da Unimed de Araçatuba. Entretanto, dois dias depois, a direção da Santa Casa conseguiu uma vaga no Hospital de Base de São José do Rio Preto, porém quando a adolescente foi colocada na UTI Móvel sofreu uma parada cardíaca e a remoção foi cancelada. “Eles pediram para fazer uma traqueostomia, mas não autorizamos porque ela sofria demais e já estava entubada”.
A família revela que a Prefeitura cogitou arrumar um helicóptero para que a menina fosse transferida, o que ocorreria no dia 6, mas novamente não houve autorização da equipe médica devido ao risco. "Falaram para nós assinarmos como responsáveis pela transferência ou então procurar uma autorização judicial".
No período noturno, Alicielen teve novas paradas cardíacas e não resistiu vindo a óbito. “Arrependo-me de não ter assinado a remoção porque tenho certeza de que se ela tivesse sido transferida para um hospital melhor, hoje estaria viva com a gente”.
A mãe finaliza com um agradecimento especial aos vereadores Hugo Montanari e Caíque Rossi e também ao prefeito JOão Luís dos Santos por todo carinho e apoio que recebeu durante o tempo em que a filha esteve sob os cuidados da Santa Casa.
SUSPEITAS
De acordo com os familiares, a primeira suspeita é a de que a menina estivesse com Gripe Suína (H1N1) e Dengue. Para comprovar os diagnósticos, exames foram elaborados, no entanto, os resultados deram negativo.
Outro diagnóstico dado a Alicielen foi SARA (Síndrome da Angústia Respiratória do Adulto), porém a origem do problema não foi detectada. A síndrome é causada por uma variedade de doenças que fazem com que os vasos sanguíneos, direta ou indiretamente, promovam o acúmulo de fluído nos pulmões. Além disso, a capacidade de expansão pulmonar fica gravemente comprometida e a lesão dos alvéolos e do revestimento (endotélio) dos pulmões é extensa. Outro fator que acarreta na doença é que a concentração de oxigênio no sangue fica muito baixa, mesmo se o paciente for oxigenado.
Um pouco antes de falecer, os médicos suspeitaram que o problema poderia ter sido causado por leucemia, porém não houve tempo de realizar os exames antes do falecimento da vítima.
A direção da Santa Casa de Misericórdia de Penápolis revelou que todos os procedimentos solicitados pela equipe médica foram realizados. O tratamento de Alicielen Rodrigues de Oliveira custou R$ 50 mil e foram custeados pelo hospital.
O supervisor do conselho diretor da unidade, Antonio Crozzati, explicou que todos os medicamentos necessários para o tratamento foram adquiridos, independentemente dos valores gastos. “Ela deu entrada em um estado muito grave, tanto que foi direto para a UTI”.
Ele revelou que o corpo clínico do hospital tem a autonomia de realizar todos os procedimentos necessários durante o tratamento. “Não podemos comentar a parte médica, pois isso não interferimos, mas confiamos em nossa equipe e sabemos que temos profissionais capacitados”.
Crozzati comentou ainda que a Santa Casa possuía estrutura suficiente para cuidar do caso, já que os exames não apontaram a causa do problema. “Estamos tranquilos porque tudo que podíamos fazer foi realizado já que todos os exames foram autorizados e os medicamentos foram adquiridos”.
O administrador do hospital, Roberto Bastos, revelou que a paciente deu entrada na UTI com uma mancha que ocupava 10% do pulmão. Horas depois, a área aumentou para 80%, por isso foi entubada. “Infelizmente não tivemos tempo para descobrir porque os exames não detectaram nada”, finalizou.
Fonte: http://www.jornalinterior.com.br/jornal/mostra_noticia.php?noticia=13344
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